sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Cavaquinhos só para tocar...

PORTUGAL COUNCIL OF STATE MEETING

Sou um gajo estranho e ainda acredito no Pai Natal... e que vivo num país que pode evoluir.

Ouvi ontem com atenção o presidente do PSD, na esperança que por uma vez acabasse por ouvir um presidente de uma nação que o elegeu democraticamente para representar todos os portugueses.

Mais uma vez acabei por ouvir um presidente que em duas frases deu cabo de todos os argumentos que poderia ter para tomar a decisão que ontem tomou. Da primeira, a de que existem partidos políticos que não podem ser eleitos ou fazer parte de um governo... tal frase é tão inconstitucional e antidemocrática que até faz tremer o Salgueiro Maia na cova. A segunda é de que é função do presidente dar contas as instituições financeiras...

Vamos tentar esclarecer isto... o Presidente tem unicamente que prestar contas a uma entidade, o eleitor, essa espécie energúmena que continua a insistir na ideia de levantar o cú do sofá ao domingo e ir lá colocar uma cruzinha num papelinho.
Esse eleitor que tem uma mente complexa e que tantos e tantos comentadores, políticos e jornalistas (e pseudo-estes-todos) tentam compreender. Entre os que dizem que a direita ganhou porque o eleitorado confia no actual PM, os que dizem que a esquerda ganhou porque somados os votos são os que tem mais... e os que dizem que ninguém ganhou.

Friamente (e aviso já que não gosto do Portas) quem ganhou as eleições foi a abstenção, e essa devia ser a primeira mensagem que TODOS os partidos deviam ler, a de que não estão a fazer um bom trabalho e que as pessoas acham que nem vale a pena exercer um direito conquistado numa revolução contra um regime autoritário porque é tudo a mesma coisa. Depois, em tantos comentadores e profissionais da TV, todos eles estão formatados a um pensamento da europa do Sul, que vê as eleições desde sempre como um jogo de bola onde há um vencedor e um vencido. Falam de programas eleitorais e de que o eleitor escolheu este ou aquele... ULTIMA HORA... 90% dos eleitores nunca leu ou viu um programa eleitoral na sua vida.

As eleições não elegem primeiros-ministros e ninguém vota para um primeiro-ministro. As eleições servem para eleger deputados a uma assembleia e aquilo que o eleitor deve esperar é que sejam capazes de entendimentos para o superior interesse do país e não a criação de um enclave partidário de facilitismos para os jotinhas e para os amigos do partido (e isto existe desde 1975 em ambos os partidos). A justificação do presidente de que sempre foi assim que se fez, que o partido com mais votos vê o seu líder indigitado acontece porque o temerário eleitor nunca fez o que fez agora... pôs a cruz noutro sitio e não nas maiorias. A pergunta que se coloca é... se o Bloco, o PCP, ou um PNR tivessem mais votos do que PS ou PSD o presidente teria o mesmo comportamento? Nomearia um nacionalista radical ou um comunista convicto para Primeiro Ministro só porque sempre assim foi?

Sejamos realistas... nos países nórdicos temos 12 e mais forças politicas com assentos parlamentares e é um conjunto de deputados que no seu entendimento que criam soluções de governo. É para isso que o eleitor vota, para que um deputado (ainda mais com a farsa dos círculos eleitorais) eleito pelo seu voto possa defender os seus valores e implementar as suas ideias. Se isso tem que representar um entendimento e efectuar cedências, então que o seja, desde que essas não venham ferir de morte os seus valores principais.

Para fechar... o Paulo Portas (eu avisei que não gosto do homem) criticar o António Costa por querer chegar ao poder é da maior demagogia que existe. Foi ele o responsável por uma crise que custou milhões ao país e que abanou a solidez da sua própria coligação apenas por um lugar de vice...


Acho que perdemos ontem a oportunidade de nos tornarmos politicamente mais evoluídos, capazes de perceber que a solidez governativa não é a maioria pensar como nós... é a maioria ter capacidade para ter as suas próprias ideias. Durante 4 anos a coligação PSD/CDS teve as suas próprias ideias porque a soma dos seus deputados (coligados DEPOIS das eleições) lhe deu esse direito. Ainda que o seu programa fosse muito diferente do que tinham apresentado... tinham esse direito. Acima de tudo... mais do que inconformado com a atitude de um homem que se diz Presidente de todos os portugueses, fiquei triste com o meu país...