segunda-feira, 14 de março de 2016
Será que é possível tirar o Paulo Portas do PP?
Ao contrário de muito português, segui com atenção o congresso deste fim de semana do CDS-PP.
É um daqueles partidos que eu sempre identifiquei como não tendo identificação alguma...
Um partido que nasceu de centro-direita, defensor da democracia-cristã, conservador e liberalista. Centro Democrático Social na sua génese, defenderia a justiça social, a família e os valores mais conservadores, defendendo uma diminuta intervenção do estado na economia e na sociedade e dando apenas relevo à função mais "observadora" do estado, quase como que o estado seja apenas o garante de que "os homens não se matem uns aos outros".
De resto, é importante que existam ricos e pobres, classes e de outras tantas coisas tão similares ao capitalismo.
Do que escrevi até agora, parece claramente definida a posição do partido. Mas e o CDS-PP (a quem muitos chamam CDS do PP - Paulo Portas)?
Uma das bases da democracia cristã é o humanismo, os valores éticos, a distribuição da riqueza produzida pela economia (pelos trabalhadores imagine-se) e pelo principio da livre associação. Até que o estado deve estar ao serviço do Homem e não o Homem ao serviço do estado.
Para quem lê estas linhas, diria mesmo que este partido se existisse era merecedor do seu voto. Mas não existe...
O PP foi até agora um partido de elites, de meninos ricos a brincar à politica. Basta ver pelos anos de gestão de Paulo Portas, do "não me candidato" até ao "irrevogável". Ao tudo por tudo por um titulo politico ou por um cargo qualquer... O "Partido do Táxi" passou em larga escala a ser o "Partido do Uber", mas não do Uber baratinho, daquele de luxo...
Entretanto, neste congresso elege-se Assunção Cristas, alguém a quem eu tenho o maior respeito e que considero uma pessoa extremamente profissional. Enquanto ministra raramente se ouviu falar dela, o que costuma ser bom sinal num país onde só se fala das pessoas quando fazem asneira.
Pode Cristas transformar o CDS do PP no CDS-PP? Diria que sim, se aproximar o partido ao centro e ao liberalismo (neo-liberalismo para alguns mais ofendidos) e deixar aquele conservadorismo bafiento...
Espera-se de um CDS-PP medidas que facilitem o desenvolvimento pessoal, o investimento das empresas e das pequenas empresas, de medidas que ajudem a família.
Mas acima de tudo que não volte a ser o partido dos submarinos, das muletas do PSD e do Paulinho das Feiras.
Também não concordo que uns trabalhem 35 horas e outros 40. Mas é preciso que as 40 horas de uns sejam tão rentáveis como as 40 de outros...