Quando a coligação que actualmente governa o nosso país foi anunciada, foi por alguns apelidada de Geringonça, por outros de ilegal e disfuncional, outros chamaram-lhe o maior avanço da politica em Portugal.
Eu, cidadão eleitor que nunca falhou uma eleição, que também não se agarra a uma cor politica e que já militou nas esquerdas mais à esquerda até ao apoio a algumas ideias de direita, tinha por ideia que esta podia ser realmente a maior inovação na politica portuguesa de sempre, Finalmente elegíamos deputados e não primeiros ministros. E a coisa até podia resultar... mas a esquerda vai ser sempre esquerda e a direita sempre direita.
O que se esperava com este novo figurino era a maior responsabilidade de quem foi eleito, de que os entendimentos entre todos pudessem surgir e que o melhor de cada um contribuísse para um país melhor e que as mordomias e os "jobs" acabassem por ser controlados nesta esfera de múltiplos interesses.
Ao fim de 100 dias de governação de esquerda e de reclamações da direita, os factos acabam por comprovar que todos tinham razão e que ninguém a tinha. Senão observemos a coisa com mais calma e a frio.
Do programa eleitoral do PS pouca coisa se salva. A ideia da TSU fica na gaveta, a descida do iva na restauração foi mais ou menos a meio gás, o não aumentar impostos foi sol de pouca dura e os maiores beneficiados com a subida do PS ao poder foram os funcionários públicos que recuperaram algum poder de compra e as 35 horas (é o que parece). Aos outros, o que se deu tirou-se com o valor dos impostos em combustíveis... sim, num depósito de 60 litros são 4 Eur a mais...
Do programa do PCP e do BE também se salva pouca coisa, ganharam a batalha dos funcionários públicos, mas foram amplamente derrotados na politica externa e nos impostos que vão acabar por comer o que pouco se deu.
O PSD também tinha na gaveta um sem numero de ideias, mas que dificilmente divergiam de gastar mais e cobrar mais... O CDS nem sei bem se tinha ideias...
Então quem é que ganhou com isto tudo?
O PAN. Sim, aquele individuo simpático que se senta sozinho lá no Parlamento viu ser aprovado o desconto em IRS das despesas de veterinário, o aumento de politicas de defesa dos animais e ainda dá umas opiniões para a economia social.
Se calhar, deviamos ter dado mais uns votos a essa rapaziada...
De notar que o CDS parece agora querer chegar a entendimentos em alguns pontos (a do Governador do BP é essencial) mas que pode levar a uma revisão mais alargada da constituição.
Agora, prevendo o futuro... o PC vai roer a corda... e a coisa não aguenta uma legislatura... e o mais triste é que acho que vamos voltar ás maiorias, daquelas que elegem primeiros-ministros e não deputados... e lá volta tudo ao mesmo.
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terça-feira, 15 de março de 2016
segunda-feira, 14 de março de 2016
Será que é possível tirar o Paulo Portas do PP?
Ao contrário de muito português, segui com atenção o congresso deste fim de semana do CDS-PP.
É um daqueles partidos que eu sempre identifiquei como não tendo identificação alguma...
Um partido que nasceu de centro-direita, defensor da democracia-cristã, conservador e liberalista. Centro Democrático Social na sua génese, defenderia a justiça social, a família e os valores mais conservadores, defendendo uma diminuta intervenção do estado na economia e na sociedade e dando apenas relevo à função mais "observadora" do estado, quase como que o estado seja apenas o garante de que "os homens não se matem uns aos outros".
De resto, é importante que existam ricos e pobres, classes e de outras tantas coisas tão similares ao capitalismo.
Do que escrevi até agora, parece claramente definida a posição do partido. Mas e o CDS-PP (a quem muitos chamam CDS do PP - Paulo Portas)?
Uma das bases da democracia cristã é o humanismo, os valores éticos, a distribuição da riqueza produzida pela economia (pelos trabalhadores imagine-se) e pelo principio da livre associação. Até que o estado deve estar ao serviço do Homem e não o Homem ao serviço do estado.
Para quem lê estas linhas, diria mesmo que este partido se existisse era merecedor do seu voto. Mas não existe...
O PP foi até agora um partido de elites, de meninos ricos a brincar à politica. Basta ver pelos anos de gestão de Paulo Portas, do "não me candidato" até ao "irrevogável". Ao tudo por tudo por um titulo politico ou por um cargo qualquer... O "Partido do Táxi" passou em larga escala a ser o "Partido do Uber", mas não do Uber baratinho, daquele de luxo...
Entretanto, neste congresso elege-se Assunção Cristas, alguém a quem eu tenho o maior respeito e que considero uma pessoa extremamente profissional. Enquanto ministra raramente se ouviu falar dela, o que costuma ser bom sinal num país onde só se fala das pessoas quando fazem asneira.
Pode Cristas transformar o CDS do PP no CDS-PP? Diria que sim, se aproximar o partido ao centro e ao liberalismo (neo-liberalismo para alguns mais ofendidos) e deixar aquele conservadorismo bafiento...
Espera-se de um CDS-PP medidas que facilitem o desenvolvimento pessoal, o investimento das empresas e das pequenas empresas, de medidas que ajudem a família.
Mas acima de tudo que não volte a ser o partido dos submarinos, das muletas do PSD e do Paulinho das Feiras.
Também não concordo que uns trabalhem 35 horas e outros 40. Mas é preciso que as 40 horas de uns sejam tão rentáveis como as 40 de outros...
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
Cavaquinhos só para tocar...
Sou um gajo estranho e ainda acredito no Pai
Natal... e que vivo num país que pode evoluir.
Ouvi ontem com atenção o presidente do PSD, na
esperança que por uma vez acabasse por ouvir um presidente de uma nação que o
elegeu democraticamente para representar todos os portugueses.
Mais uma vez acabei por ouvir um presidente
que em duas frases deu cabo de todos os argumentos que poderia ter para tomar a
decisão que ontem tomou. Da primeira, a de que existem partidos políticos que
não podem ser eleitos ou fazer parte de um governo... tal frase é tão
inconstitucional e antidemocrática que até faz tremer o Salgueiro Maia na cova.
A segunda é de que é função do presidente dar contas as instituições
financeiras...
Vamos tentar esclarecer isto... o Presidente
tem unicamente que prestar contas a uma entidade, o eleitor, essa espécie energúmena
que continua a insistir na ideia de levantar o cú do sofá ao domingo e ir lá
colocar uma cruzinha num papelinho.
Esse eleitor que tem uma mente complexa e que
tantos e tantos comentadores, políticos e jornalistas (e pseudo-estes-todos)
tentam compreender. Entre os que dizem que a direita ganhou porque o eleitorado
confia no actual PM, os que dizem que a esquerda ganhou porque somados os votos
são os que tem mais... e os que dizem que ninguém ganhou.
Friamente (e aviso já que não gosto do Portas)
quem ganhou as eleições foi a abstenção, e essa devia ser a primeira mensagem
que TODOS os partidos deviam ler, a de que não estão a fazer um bom trabalho e
que as pessoas acham que nem vale a pena exercer um direito conquistado numa
revolução contra um regime autoritário porque é tudo a mesma coisa. Depois, em
tantos comentadores e profissionais da TV, todos eles estão formatados a um
pensamento da europa do Sul, que vê as eleições desde sempre como um jogo de
bola onde há um vencedor e um vencido. Falam de programas eleitorais e de que o
eleitor escolheu este ou aquele... ULTIMA HORA... 90% dos eleitores nunca leu
ou viu um programa eleitoral na sua vida.
As eleições não elegem primeiros-ministros e ninguém
vota para um primeiro-ministro. As eleições servem para eleger deputados a uma
assembleia e aquilo que o eleitor deve esperar é que sejam capazes de
entendimentos para o superior interesse do país e não a criação de um enclave
partidário de facilitismos para os jotinhas e para os amigos do partido (e isto
existe desde 1975 em ambos os partidos). A justificação do presidente de que
sempre foi assim que se fez, que o partido com mais votos vê o seu líder
indigitado acontece porque o temerário eleitor nunca fez o que fez agora... pôs
a cruz noutro sitio e não nas maiorias. A pergunta que se coloca é... se o
Bloco, o PCP, ou um PNR tivessem mais votos do que PS ou PSD o presidente teria
o mesmo comportamento? Nomearia um nacionalista radical ou um comunista
convicto para Primeiro Ministro só porque sempre assim foi?
Sejamos realistas... nos países nórdicos temos
12 e mais forças politicas com assentos parlamentares e é um conjunto de
deputados que no seu entendimento que criam soluções de governo. É para isso
que o eleitor vota, para que um deputado (ainda mais com a farsa dos círculos
eleitorais) eleito pelo seu voto possa defender os seus valores e implementar
as suas ideias. Se isso tem que representar um entendimento e efectuar
cedências, então que o seja, desde que essas não venham ferir de morte os seus
valores principais.
Para fechar... o Paulo Portas (eu avisei que
não gosto do homem) criticar o António Costa por querer chegar ao poder é da
maior demagogia que existe. Foi ele o responsável por uma crise que custou
milhões ao país e que abanou a solidez da sua própria coligação apenas por um
lugar de vice...
Acho que perdemos ontem a oportunidade de nos
tornarmos politicamente mais evoluídos, capazes de perceber que a solidez
governativa não é a maioria pensar como nós... é a maioria ter capacidade para
ter as suas próprias ideias. Durante 4 anos a coligação PSD/CDS teve as suas
próprias ideias porque a soma dos seus deputados (coligados DEPOIS das
eleições) lhe deu esse direito. Ainda que o seu programa fosse muito diferente
do que tinham apresentado... tinham esse direito. Acima de tudo... mais do que inconformado
com a atitude de um homem que se diz Presidente de todos os portugueses, fiquei
triste com o meu país...
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